Mitos do Eucalipto

1. O eucalipto seca o solo? - FALSO

Comparações entre espécies de eucalipto com outras essências florestais mostram que os plantios de eucalipto no Brasil consomem a mesma quantidade de água que as florestas nativas. Sua eficiência no aproveitamento da água garante maior produtividade quando comparado a outras culturas agrícolas.

O consumo maior ocorre na época de chuvas, quando o conteúdo de água no solo é elevado e suficiente para suprir os mananciais hídricos. Mas nos períodos em que o solo está mais seco, o consumo devido à perda de água pela transpiração é bastante reduzido.

A folhagem ou copa do eucalipto retém menos água de chuva do que as árvores das florestas tropicais, que possuem copas mais amplas. Por isso, nos plantios de eucalipto mais água de chuva vai direto para o solo enquanto que na floresta tropical nativa a água retida nas copas das árvores evapora-se diretamente para a atmosfera.

Estudos comprovam que a água disponível para o crescimento do eucalipto é proveniente, sobretudo, da camada superficial do solo. Normalmente, suas raízes não ultrapassam 2,5 metros de profundidade e não conseguem chegar aos lençóis freáticos, quase sempre localizados em profundidades bem maiores.

2. O eucalipto empobrece o solo? - FALSO

Pesquisas independentes já mostraram os efeitos benéficos do eucalipto sobre diversas propriedades do solo, como estrutura, capacidade de armazenamento de água, drenagem e aeração, entre outras.

Quase tudo o que o eucalipto tira do solo, ele devolve. Após a colheita, cascas, folhas e galhos, que possuem 70% dos nutrientes da árvore, permanecem no local e incorporam-se ao solo como matéria orgânica. Além de contribuir para a reposição (ciclagem) de nutrientes, essa espessa camada de resíduo florestal contribui também no controle da erosão.

As técnicas de manejo utilizadas pelos produtores de florestas plantadas de eucalipto favorecem a permanente cobertura do solo. Quando as árvores são colhidas, recomeça o ciclo pela regeneração ou por um novo plantio.

As práticas de manejo adotadas pelos produtores de florestas plantadas de eucalipto no Brasil são fundamentadas em resultados de pesquisas realizados pelo setor ao longo de várias décadas. Estas pesquisas comprovam que o plantio de eucalipto preserva a qualidade dos seus solos e assegura as demandas nutricionais do eucalipto.

Essas práticas têm garantido níveis de fertilidade e de conservação crescentes e apropriados para a produção de eucalipto e de outras culturas por vários ciclos e gerações.

3. O eucalipto gera um "deserto verde?” - FALSO.

Por ser uma cultura de porte florestal, o eucalipto e o sub-bosque presente nos plantios formam corredores para as áreas de preservação e criam um hábitat para a fauna, oferecendo condições de abrigo, de alimentação e mesmo de reprodução para várias espécies.

Com a adoção de modernas técnicas de planejamento de uso do solo, fica garantida a biodiversidade dos sistemas aquáticos e terrestres. Uma das maiores contribuições dos produtores de florestas plantadas para a manutenção da biodiversidade é a preservação de áreas de reservas equivalente a 1.600.000 mil hectares. Isto representa aproximadamente 33% do total das propriedades das empresas só com árvores nativas intercaladas com os plantios de eucalipto.

4. O eucalipto gera poucos benefícios sociais e econômicos no interior? - FALSO

São inúmeras as formas de contabilizar as riquezas geradas nas comunidades próximas ao cultivo do eucalipto. Entre elas, empregos diretos e indiretos, recolhimento de impostos, investimentos em infra-estrutura, consumo de bens de produção local, fomento a diversos tipos de novos negócios (inclusive de plantios em áreas improdutivas) e iniciativas na área social como construção de novas escolas e postos de saúde, além de doações, que levam cidadania a áreas antes esquecidas.

O eucalipto já provou ser um negócio que distribui suas riquezas entre todos que estão à sua volta. Promove o desenvolvimento social e econômico como está fazendo em diversas regiões do país.

Fonte ABRAF . Associação de Produtores de Florestas Plantadas

 

Natália Canova

A cultura do eucalipto e o consumo de água

14/01/2013

O mito sobre a produção de eucalipto e o consumo de água ainda persiste. Historicamente, surgiu devido à maneira como eram cultivadas espécies de rápido crescimento no País e, com a falta de divulgação, tanto em relação ao manejo florestal quanto a fatores que interferem na absorção de água pela florestal, o tema se alastrou. Porém, nos últimos anos, muitos esforços foram desprendidos para demonstrar que o consumo de água pelo cultivo de eucalipto não é diferente do de outras espécies florestais.

O consumo de água pela vegetação depende do clima e da área total das folhas da floresta (o chamado índice de área foliar) e mantém uma relação direta com o processo de fotossíntese, a forma como é feito o manejo florestal e a região de produção das espécies.

Alguns trabalhos científicos demonstram que as plantações de eucalipto se comparam à floresta nativa (Mata Atlântica) quanto à evapotranspiração (conjunto de todas as perdas de água por evaporação) anual e ao uso de água no solo (Almeida e Soares, 2003). Considerando o ciclo de crescimento do eucalipto para a produção de celulose, o uso de água pela plantação de eucalipto pode ser inferior ao da floresta nativa, principalmente no início do ciclo.

Alguns dados, como os apresentados na Tabela 1 mostram que as plantações de eucalipto consomem uma quantidade relativamente menor de água que as florestas nativas.

Tabela 1

 

Diferentes tipos florestais
Amazônia Mata Atlântica Plantio de Eucalipto
Consumo de água
(mm/ano)
1.500 1.200 900 a 1.200

Fonte: CIB

Como todas as formações florestais, o consumo de água pelas florestas plantadas aumenta na época das chuvas, quando o volume hídrico no solo é elevado e suficiente para suprir os mananciais. Contudo, nos períodos mais secos a perda de água por evapotranspiração das árvores diminui consideravelmente. A folhagem do eucalipto também retém menos água das chuvas que as árvores de florestas naturais tropicais, que possuem copas mais amplas (maior índice de área foliar). Por isso, nas áreas de plantio de eucalipto, parte do volume pluviométrico escoa diretamente pelos troncos e atinge o solo, ao passo que, em florestas naturais tropicais, um volume maior é retido nas copas e posteriormente evapora.

Além da similaridade entre o consumo de água entre as diversas espécies florestais e o eucalipto, estudos também demonstram que, comparativamente a outras culturas agrícolas, o eucalipto não se destaca no ranking de consumo hídrico. A Tabela 2 compara o consumo de água de eucalipto com outras culturas. É possível notar que o deste se equipara ao consumo hídrico do café, também uma espécie arbórea, e é inferior ao da cana de açúcar, por exemplo.

Tabela 2

Quantidade de água necessária durante um ano (ou ciclo) da cultura
Cultura Consumo de água (mm)*
Cana de açúcar 1000 - 2.000
Café 800 - 1.200
Eucalipto 800 - 1.200
Citrus 600 - 1.200
Milho 400 - 800
Feijão 300 – 600

*Cada milímetro corresponde a um litro por metro quadrado
Fonte: Calder et al., 1992, e Lima W. De P., 1992

O consumo de água deve ser sempre analisado de duas maneiras:

  1. em termos do consumo total anual, como já demonstrado nas tabelas acima;
  2. em relação à eficiência do uso desse total de água, em termos da quantidade de madeira/produto produzida por unidade de água consumida na transpiração, na qual o eucalipto leva até ligeira vantagem. Ou seja, usa a água disponível de forma mais eficiente.

A Tabela 3 mostra a eficiência de consumo de água do eucalipto comparativamente a outras culturas agrícolas.

Tabela 3

Comparação entre o consumo de água do eucalipto e o de outras culturas
Cultura Eficiência do uso da água
Cerrado 1 kg de madeira/ 2500L
Batata 1 kg de batata/ 2000 L
Milho 1 kg de milho/ 1000L
Cana-de-açúcar 1 kg de açúcar/ 500L
Eucalipto 1 kg de madeira/ 350 L

Fonte: Novais et al, 1996

Trabalho realizado pela UPM Nordland Paper Mill, a fim de calcular a pegada hídrica da produção de seus papéis, demonstra que a pegada de água verde – indicador que representa a água que vem da chuva e se acumula no solo, que tem uma relação principalmente com as plantas e é retirada via evaporação e transpiração − de plantações de eucalipto equivale a quase metade da pegada hídrica de florestas boreais com espécies de folhas largas (ex: bétula).

Embora a produção de eucalipto em área tropicais e subtropicais tenha uma taxa de evapotranspiração triplamente maior, a produção de madeira por hectare chega a ser cinco vezes a produzida em áreas de florestas boreais. Isso confere ao eucalipto, uma pegada por m3 colhido bem menor que outras formações florestais utilizadas para fins comerciais. O Gráfico 1, abaixo, mostra a pegada de água verde, para os diferentes tipos de madeira.

Gráfico 1

img1

Fonte: Relatório UPM- The Biofore Company: From Forest to paper, the story of four water footprint

A despeito dos dados demonstrados, o debate no que concerne à relação entre a produção de eucalipto e os recursos hídricos ainda persiste. Em algumas áreas, é realmente possível notar degradação de microbacias e solos mais secos. Isso pode ser atribuído a vários fatores em diferentes escalas. Em uma escala macro, pode estar relacionado às mudanças climáticas. Modelos complexos demonstram que o acúmulo de gases do efeito estufa e o gradativo aumento de temperatura podem estar exercendo influência sobre os recursos hídricos.

Em uma escala menor, devemos considerar que as condições climáticas que governam a disponibilidade (ou o suprimento) natural de água para os mais diversos usos variam de região para região. Regiões mais áridas, como o “polígono das secas”, a evapotranspiração é mais elevada e o total anual de chuvas é normalmente baixo, por isso sobra pouca água para recarregar os aquíferos e o solo. Por outro lado, em regiões de alta precipitação média, a quantidade total anual de chuva é maior que a evapotranspiração, o que permite que a vazão dos cursos d´água sejam alimentadas o ano todo. Entre esses dois extremos, existe uma grande variação entre esse balanço de chuvas e perdas por evapotranspiração.

Assim, conhecer a disponibilidade de água é fundamental. Qualquer alteração no ecossistema natural, principalmente em regiões mais secas, pode resultar num aumento do consumo de água. O zoneamento ecológico econômico deve levar em conta essas variações de disponibilidade natural de água.

Considerando-se uma escala mais micro, é nas propriedades rurais, onde estão as ações de manejo florestal e as microbacias hidrográficas, que devem se concentrar as ações de gestão dos recursos hídricos, protegendo, assim, suas áreas críticas e sua resiliência, ou seja, sua capacidade de resistir às alterações sem se degradar irreversivelmente.

Um dos fatores mais importantes para a permanência dessa capacidade é a integridade das matas ciliares protegendo toda a cabeceira de drenagem, as margens dos cursos de água e os terrenos mais saturados. Por isso, essas áreas são consideradas Áreas de Preservação Permanente (APPs) pelo Código Florestal, pois sua preservação proporciona serviços ambientais importantes, sendo a manutenção da quantidade e qualidade do fluxo hídrico o maior deles. Quando essas áreas perdem tais características, elas se tornam vulneráveis a perturbações, que de outra forma seriam naturalmente absorvidas. Assim, pode-se dizer que a perda da resiliência das matas ciliares é o fator principal da diminuição e degradação dos recursos hídricos, do secamento do solo e da “morte” de córregos e riachos.

Conclusões - As informações acima mencionadas e os inúmeros estudos experimentais demonstram que o eucalipto não é o “vilão” em relação ao fluxo hídrico, e que a controvérsia não é fundamentada. A questão não é apenas técnica, física ou biológica, mas, sim, de manejo e gestão dos recursos. Neste sentido, o setor de celulose e papel entende que, mais do que saber qual é o consumo de água pelo eucalipto, a nova ordem social e ambiental exige saber como ocorre esse consumo.

Por este motivo, muitas empresas têm se comprometido com o monitoramento de bacias hidrográficas, para saber se a disponibilidade da água dá condições para a produção florestal na região e se esse fluxo é suficiente para atender às demais demandas, inclusive as ambientais e sociais, como preceitua o conceito de manejo sustentável e de integridade dos ecossistemas.

Natália Canova é engenheira florestal e responsável pela Área Florestal da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa).

As informações aqui apresentadas foram extraídas de revisão de literatura de artigos de especialistas do tema, como Walter de Paula Lima, Maria José Brito Zakia e Ian R. Calder, além de publicações de organizações como o Diálogo Florestal e o Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).


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