O Eucalyptus no Brasil

As primeiras mudas de eucalipto que chegaram no Brasil foram plantadas no Rio Grande do Sul em 1868 e o plantio em escala comercial data da primeira década do século XX, 1904. Inicialmente, foi introduzido como monocultura destinada a suprir a demanda de lenha para combustíveis das locomotivas e dormentes para trilhos da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Do Estado de São Paulo, o plantio de eucalipto se estendeu para todo o centro e sul do País e na década de 50 passou a ser produzido, como matéria prima, para o abastecimento das fábricas de papel e celulose. Durante o período dos incentivos fiscais, na década de 60, sua expansão foi ampliada,  tais incentivos perduraram até meados dos anos 80, sendo esse período considerado um marco na silvicultura brasileira.

Originário da Austrália e outras ilhas da Oceania, o eucalipto apresenta-se como uma espécie vegetal de rápido crescimento e adaptada para as situações edafobioclimáticas brasileiras. Em suas plantações, normalmente o corte para a industrialização ocorre aos sete anos, em um regime que permite até três rotações sucessivas, com ciclos de até 21 anos. Atualmente, o aumento da produtividade foi alavancado pelo melhoramento genético tradicional e a clonagem. Devido a sua fácil adaptação às mais diferentes condições de clima e solo, o eucalipto passou a ser uma alternativa racional contra a devastação das florestas nativas em diversas regiões do planeta.

O eucalipto é aplicado em diferentes processos e com diversas finalidades, como produção de celulose, papel, postes, energia, chapas, lâminas, compensados, aglomerados, carvão vegetal, madeira serrada e móveis. Além de outros produtos como o óleo essencial em produtos de limpeza, alimentícios, perfumes e remédios e o mel de alta qualidade produzido a partir do pólen de suas flores, alcançando grande importância econômica para o País.

O eucalipto brasileiro se destina basicamente à produção de celulose e papel e ao carvão que abastece as siderúrgicas. As indústrias brasileiras que usam o eucalipto como matéria prima para a produção de papel, celulose e demais derivados representam 4% do nosso PIB, 8% das exportações e geram aproximadamente 150 mil empregos. A Sociedade Brasileira de Silvicultura (SBS) distribui a necessidade de plantio de eucalipto, para atingir a demanda atual, como sendo: 170 mil ha / ano para celulose, 130 mil ha / ano  para madeira sólida, 250 mil ha / ano  para carvão vegetal e 80 mil ha / ano  para energia. As maiores áreas estão localizadas nos Estados de Minas Gerais (51,8%), São Paulo (19,4%), Bahia (7,2%) e Espírito Santo (5,1%).

A participação brasileira de produtos florestais no mercado mundial é de 2% considerando-se os dados agregados de diferentes áreas, incluindo o eucalipto. Por enquanto, apenas 14% de toda a madeira consumida no mundo são provenientes de plantios florestais.
Hoje, temos a maior área plantada de eucaliptos do mundo (mais de 3 milhões de hectares), somos um dos maiores produtores mundiais de celulose (cerca de 6,3 milhões de toneladas por ano) e alcançamos o maior índice médio de produtividade (40m³ por hectare ao ano).  

 

Informações sobre Algumas Espécies de Eucalyptus

FERREIRA, M. Escolha de Espécies de Eucalipto. Circular Técnica IPEF, v.47, p.1-30, 1979

Eucalyptus camaldulensis Dehn

Esta espécie ocorre praticamente em todos os Estados Australianos, Exceto na Tasmânia. As áreas principais de ocorrência estão situadas entre as latitudes de 15,5º à 38 ºs, nas altitudes variando desde 30 a 600 m. Caracteriza-se por ser uma espécie que predominantemente ocorre margeando rios. A precipitação pluviométrica média anual varia de 250 a 625 mm, as chuvas concentrando-se no inverno ou no verão.

A temperatura média das máximas do mês mais quente situa-se entre 29 a 35ºC, enquanto que média das mínimas do mês mais frio situa-se de 11 a 20ºC.

O período seco varia de 4 a 8 meses ou mais. Nas regiões tropicais não ocorrem geadas, enquanto que ao sul da zona de ocorrência podem ocorrer 50 dias/ano. Na Austrália a madeira é muito utilizada para serraria, dormentes e carvão.

Considera-se o E. camaldulensis uma das espécies mais adequadas para zonas críticas de reflorestamento, onde as deficiências hídricas e problemas ligados ao solo, sejam fatores limitantes para outras espécies. Nos países em que a espécie foi introduzida com sucesso, as conclusões básica foram:

  Boa adaptação em regiões caracterizadas por solos pobres e prolongada estação seca.

  Tolerância a inundações periódicas.

  Moderada resistência a geadas.

  As árvores no geral são mais tortuosas do que E. grandis, E. saligna e E. propinqua.

  Produz madeira mais densa com cerne bem diferenciado e mais colorido do que E. grandis e E. saligna.

  Regenera muito bem através das brotações de cepas.

Nos estudos efetuados em São Paulo a espécie demonstrou ser útil para serraria, postes, dormentes , mourões, lenha e carvão. Para celulose e papel não é muito aceita.

Eucalyptus citriodora Hook   

Ocorre nas regiões norte e centro de Queensland. As áreas de maior concentração estão situadas entre as latitudes de 15,5 e 25º S em altitudes compreendidas entre 80 a 800 m . A precipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1.000 mm . Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 29 a 35ºC, temperatura média das mínimas do mês mais frio entre 5 a 10ºC. Período de seca variando de 5 a 7 meses, envolvendo a época mais quente do ano. Praticamente não ocorrem geadas na zona de ocorrência natural. A madeira é muito utilizada para: construções , estruturas , caixotaria , postes , dormentes , mourões , lenha e carvão.

No Estado de São Paulo a espécie apresenta susceptibilidade à geadas, boa resistência à deficiências hídrica. Em solos pobres pode haver alta incidência de bifurcações ligadas a deficiências nutricionais (principalmente boro) ; regenera-se muito bem por brotações das cepas.

Em função das característica básicas da espécie e dos resultados obtidos em São Paulo , deve-se sempre considerar as geadas severas como fator limitante.

Eucalyptus grandis Hill ex Maiden   

Ocorre naturalmente na Austrália, ao norte do estado de New South Wales, ao sul de Queensland ( próximo a região costeira e na parte central) , e ao norte de Queensland em áreas de altitude (300 a 900 m) . A precipitação pluviométrica varia de 1.000 a 1.700 mm, predominantemente no verão. Estação seca não ultrapassando 3 meses. Geadas ocasionais nas regiões mais interiores da área de ocorrência natural. Temperatura média das máximas do mês mais quente compreendida entre 29 a 32ºC, e a média das mínimas do mês mais frio entre 5 a 6ºC.

A madeira de E. grandis é leve e fácil de ser trabalhada. Utilizada intensivamente, na Austrália e na república Sul Africana, como madeira de construção , quando oriunda de plantações de ciclo longo. A madeira produzida em ciclos curtos é utilizada para caixotaria. Normalmente a madeira oriunda de árvores com rápido crescimento, apresenta problemas de empenamento, contrações e rachaduras quando do desdôbro. Plantações, convenientemente manejadas, podem produzir madeira excelente para serraria e laminação. É a principal fonte de matéria prima para celulose e papel do Estado de São Paulo.

Em algumas áreas poderá haver incidência do cancro do eucalpto (fungo Dia porthe cubensis Bruner) . Atribui-se, essa incidência, á intensidade da deficiência hídrica nas áreas em questão.

 

Eucalyptus pellita F. Muell   

Na Austrália ocorre em duas regiões distintas:

  Região A - entre as latitudes de 12 a 18o S.

  Região B - entre 27 a 36ºS.

Em relação as altitudes podem variar desde o nível do mar até 800 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 900 a 2.400 mm. As chuvas distribuem-se uniformemente durante o ano ou são concentradas no verão, não havendo um período seco severo. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 24 a 33ºC, e das mínimas do mês mais frio 12 a 16ºC. As geadas são raras na Região B e inexistentes na Região A.

A madeira é muito utilizada para construções e estruturas. Em nossas condições há necessidade de estudos mais detalhados para se determinar a viabilidade de outras utilizações.

Acredita-se que a espécie foi introduzida em São Paulo, com sementes oriundas da região B, por essa razão os resultados obtidos na experimentação e nas plantações piloto, não foram tão animadores. Em testes avaliados até o momento permitem considerar a espécie como altamente potencial para as regiões onde não ocorram geadas severas.

Eucalyptus pilularis Sm   

Ocorre naturalmente em New South Wales nas planícies litorâneas, e nas zonas montanhosas próximas ao litoral , estendendo-se sua ocorrência até ao sul de Queensland. Essa área situa-se entre as latitudes de 25ºS a 37,5ºS. As altitudes variam desde o nível do mar até 700m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 1.000 a 1.500 mm. A distribuição das chuvas é do tipo uniforme durante o ano ou concentradas no verão. Nas áreas onde as chuvas concentram-se no verão, o período de seca pode ter a duração de 3 a 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 29 a 32ºC, e das mínimas do mês mais frio entre 5 a 6ºC. As geadas ocorrem numa intensidade de 5 a 15 dias/ano.

A espécie, em sua zona de ocorrência , apresenta crescimento rápido e madeira com qualidade adequadas para : laminação, móveis, construções, dormentes, postes, moirões, escoras e caixotaria. Poderá ser potencial para produção de celulose e papel. Em nossas condições a espécie apresenta suceptibilidade à geadas e às deficiências hídricas severas. É tolerante ao fogo mais apresenta baixa capacidade de regeneração por brotação.

Eucalyptus robusta Sm   

Ocorre naturalmente no litoral de New South Wales e no sul de Queensland . Essa área situa-se entre as latitudes de 23 a 36ºS. Em relação a altitude a espécie ocorre, predominantemente, ao nível do mar. A precipitação pluviométrica média anual varia de 1.000 a 1.500mm, concentrando-se no verão. O período de seca não ultrapassa 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 30 a 32ºC e das mínimas do mês mais frio 3 a 5ºC . Durante o inverno podem ocorrer geadas na intensidade de 5 a 10 dias / ano.

A madeira pode ser utilizada para: serraria, laminação, postes, dormentes e mourões. Embora tenha na Austrália ocorrência restrita ao litoral, nas introduções realizadas fora da sua zona natural, vem apresentando alta plasticidade, podendo ser recomendada para ocupação de solos hidromórficos, ou francamente arenosos em diferentes altitudes. A espécie possue alta capacidade de regeneração por brotação das cepas, como demonstram os estudos, em que um plantio piloto de 10.458 árvores, apresentou aos 29 anos de idade, após 3 cortes rasos sucessivos, 94,64% de brotação das cepas.

Eucalyptus saligna Sm   

Ocorre geralmente na região litorânea e nos vales das cadeias montanhosas próximas ao litoral de New South Wales, e ao sul de Queensland. A distribuição natural da espécie situa-se entre as latitudes de 28 a 35ºS, em altitudes desde o nível do mar até 1.000 m . A precipitação pluviométrica anual situa-se entre 800 a 1.200mm, chuvas uniformemente distribuídas durante o ano, ou concentradas no verão. A estação seca não ultrapassa 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 28 a 30ºC e das mínimas do mês mais frio entre 3 a 4ºC. As geadas ocorrem numa intensidade de 5 a 10 dias/ano.

A madeira é indicada para uso generalizados. Freqüentemente a espécie é confundida com E. grandis em função das afinidades existentes entre elas. Em nosso Estado o E.saligna oriundo da Austrália, Mairinque ou Itatinga, produz madeira de maior densidade quando comparada ao E .grandis , e apresenta menor suceptibilidade à deficiência de Boro. Identicamente ao E.grandis, em áreas onde a deficiência hídrica seja severa, poderá ser atacada pelo cancro do eucalypto.

As características da madeira a tornam indicada para: laminação, móveis, estruturas, caixotaria, postes, escoras, mourões, celulose e carvão. Apresenta suceptibilidade às geadas severas, tolera fogo baixo, e tem alta capacidade de regeneração por brotação das cepas.

Em função do sucesso alcançado com a espécie no Estado de São Paulo, ela é recomendada para todas as regiões, com restrições a locais onde ocorram geadas ou deficiências hídricas severas.

Eucalyptus tereticornis Sm   

Espécie amplamente distribuída na Austrália. A zona de ocorrência natural compreende os Estados de Queensland, New South Wales, Victoria atingindo até Papua - Nova Guiné. Tão vasta área esta situada entre as latitudes de 6 a 38ºS, as altitudes que podem variar desde o nível do mar até 1.000m no continente australiano. Em Papua - Nova Guiné pode ocorrer a 2.000 m de altitude. Precipitação pluviométrica média anual compreendida entre 500 a 1.500 mm. As chuvas poderão ser predominantes no verão ou no inverno. O período seco pôde atingir até 7 meses. A temperatura média das máximas do mês mais quente em torno de 22 a 32ºC, e das mínimas do mês mais frio entre 2 a 12ºC. Em relação às geadas podem não ocorrer ou ocorrer numa intensidade de 1 a 15 dias/ano.

A madeira é intensamente utilizada para serraria, estruturas, construções, postes, mourões e carvão. O E. teriticornis e o E. camaldulensis são as espécies mais importantes para o reflorestamento em zonas tipicamente tropicais da África, e começam a despontar como potenciais para o Brasil.

Em todos os estudos efetuados a espécie vem revelando boa resistência à pragas, doenças e à deficiências hídricas , boa capacidade de regeneração por brotação das cepas e tolerância ao fogo rasteiro . O E. tereticornis poderá ser recomendado para plantio em todas as regiões, executando as áreas onde ocorram geadas intensas.

Eucalyptus urophylla S.T. Blake   

Sua área de ocorrência natural situa-se em Timor e outras ilhas a leste do arquipélago Indonesiano, entre as latitudes de 8 a 10º e altitudes de 400 a 3.000 m. Precipitação pluviométrica média anual compreendida entre 1.000 a 1.500 mm concentrada no verão. Período seco não ultrapassa 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente em torno de 29ºC, e das mínimas do mês mais frio entre 8 a 12ºC. As geadas podem ocorrer nas zonas de maior altitude.

Na área de ocorrência natural a madeira é utilizada para construções e estruturas que demandem alta resistência. Em nosso meio a madeira é para utilização geral.


Eucalyptus viminalis Labill   

Ocorre naturalmente nos Estados de New South Wales, Victoria e Tasmânia, entre as latitudes de 28 a 43,5ºS. As altitudes podem variar desde o nível do mar até 1.500 m. Aprecipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1.400 mm, predominantemente no inverno ou no verão. A média das temperaturas máximas do mês mais quente não ultrapassa 21ºC, enquanto que a média das mínimas do mês mais frio varia de 1 a 4ºC. Podem ocorrer geadas na intensidade de 5 a 60 dias/ano.

A madeira pode ser utilizada para caixotaria, escoras de construção, mourões e lenha. Para celulose e papel há necessidade de estudos mais detalhados. A espécie é altamente resistente à geadas, susceptível à deficiências hídricas e apresenta boa capacidade de regeneração por brotações das cepas. Pelas características acima relatadas o é altamente potencial para a região onde ocorrem geadas severas.

Eucalyptus torelliana F. Muell   

Ocorre geralmente em Queensland, na região de Atherton, entre as latitudes de 16 a 19ºS e altitudes de 100 a 800 m. A precipitação pluviométrica média anual situa-se em torno de 1.000 a 1.500 mm, Concentrando-se predominantemente no verão . O período seco não ultrapassa 3 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente em torno de 29º e das mínimas do mês mais frio entre 10 a 16º. Praticamente não ocorrem geadas.

É uma das poucas espécies do gênero, que ocorre associada a floresta tropical. Aparentemente necessita de solos férteis e com boa drenagem. A madeira é muito semelhante a do E. citridora e do E. grandis.

Eucalyptus resinifera Sm   

Tem sua área de ocorrência natural localizada no litoral e cadeias montanhosas litorâneas do norte de New South Wales, e ao sul de Queensland. Essa área situa-se entre as latitudes 17 a 34ºS, em altitudes variando desde o nível do mar até 600 m. Precipitação pluviométrica média anual entre 1.350 a 1.500mm, chuvas predominantes no verão. Estação seca não ultrapassando 4 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 27 a 32ºC, e das mínimas do mês mais frio entre 4 a 5ºC.

É uma das mais importantes espécies da Austrália podendo ser a sua madeira utilizada para serraria, construções, móveis, caixotaria, dormentes, postes e mourões. É susceptível à geadas e à deficiência hídrica severa, tolerante a fogo e regenera-se bem por brotação das cepas.

Eucalyptus punctata DC   

Ocorre naturalmente na região central, no litoral e serras litorâneas de New South Wales. Essa área situa-se entre as latitudes de 32 a 35ºS. As latitudes estão compreendidas entre o nível do mar a 1.000 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1.250 mm. O regime de chuvas é caracterizado por uma uniforme distribuição durante o ano, ou por chuvas concentradas no verão. A estação seca tem uma duração média de 4 meses. Temperatura média de 4 meses das máximas do mês mais quente entre 27 a 32ºC, e das mínimas do mês mais frio entre 4 a 5ºC. As geadas ocorrem numa intensidade de 1 a 10 dias/ano.

A madeira é altamente recomendável para serraria, estruturas, postes e dormentes. Regenera-se bem por brotação das cepas.

Eucalyptus propinqua Deane & Maiden   

Ocorre geralmente ao norte de New South Wales e ao sul de Queensland, em zonas de altitudes próximas ao Litoral. Essa área está compreendida entre as latitudes 24 a 33ºS. As altitudes variam desde o nível do mar até 350 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 875 a 1.400 mm, concentrando-se basicamente no verão. O período seco tem duração máxima de 4 meses.

Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 27 a 33ºC, e das mínimas do mês mais frio entre 4 a 10ºC. As geadas podem ocorrer numa intensidade de 1 a 10 dias/ano.

A madeira é altamente recomendável para serraria, estruturas, postes, dormentes, e mourões. A espécie apresenta boa capacidade de regeneração por brotação das cepas. O plantio não é recomendado para regiões onde ocorram geadas.

Eucalyptus paniculata Sm   

Ocorre no litoral de New South Wales, entre as latitudes de 30 a 36,5ºS, altitudes desde o nível do mar até 500m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 825 a 1500mm. Chuvas predominantes no verão, estação seca variando de 4 a 6 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente entre 24 a 29ºC, e das mínimas do mês mais frio entre 2 a 5ºC. No inverno ocorrem geadas pouco intensas.

A madeira é muito utilizada para dormentes, pontes, postes, mourões, carvão e escoras. Caracteriza-se por sua alta densidade e durabilidade.

Nas introduções feitas fora da Austrália revelou ser susceptível à geadas, moderadamente susceptível a seca, tolerante ao fogo rasteiro, boa capacidade de regeneração por brotação das cepas.

Eucalyptus microcorys F. Muell   

Ocorre ao norte de New South Wales e ao sul de Queensland, nas latitudes compreendidas entre 25 a 32,5ºS, e altitudes desde o nível do mar até 800m. A precipitação média anual varia de 900 a 1.500 mm. As chuvas concentram-se no verão e a estação seca não ultrapassa 3 meses. Temperatura média das máximas do mês mais quente em torno de 32ºC, e das mínimas do mês mais frio 5ºC. As geadas ocorrem numa intensidade de 10 a 30 dias/ano.

A madeira apresenta boas características para laminação, móveis, construções, postes, dormentes, moirões, escoras para construções e caixotaria. A espécie é moderadamente resistente às geadas, susceptível à deficiência hídricas severas e tolerantes ao fogo. Apresenta boa capacidade de regeneração através da brotação das cepas.

É uma das espécies que vem recebendo atenção especial pelas entidades florestais australianas, em função do seu aproveitamento para serraria. Restrições onde ocorram geadas severas e onde ocorram deficiências hídricas severas.

Eucalyptus maidenii F. Muell   

Ocorre geralmente nas zonas de altitude no sul de New South Wales e no nordeste de Victoria, entre as latitudes de 34 a 39ºS e altitudes de 230 a 915m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 750 a 1.250 mm. As chuvas são uniformemente distribuídas durante o ano ou concentradas no inverno. Temperatura média das máximas do mês mais frio em torno de 5ºC. As geadas ocorrem numa intensidade de 20 a 120 dias/ano.

A madeira pode ser utilizada para serraria, escoras, postes e mourões. Para celulose e papel há necessidade de melhores estudos. É uma espécie resistente à geadas, susceptível à deficiências hídricas severas e ao fogo. Apresenta boa capacidade de regeneração por brotação das cepas.

 

Eucalyptus maculata Hook   

Ocorre na Austrália, no litoral e no interior do Estado de Queensland, e no litoral de New Soth Wales, entre as latitudes de 25 a 37ºS, nas altitudes desde o nível do mar até 800 m. A precipitação média anual nessas áreas varia de 625 a 1.250 mm. A distribuição das chuvas pode ser uniforme durante o ano, ou concentradas no verão. Nas regiões onde as chuvas concentram-se no verão o período de seca varia no sentido sul para o norte, podendo situar-se no intervalo de 3 a 6 meses. Em toda a área de ocorrência as geadas são pouco freqüentes. A temperatura média das máximas do mês mais quente situa-se entre 22 a 35º C, e a média das mínimas do mês mais frio entre 2 a 5ºC.

A madeira apresenta boas características para utilização em laminação, marcenaria, construções, dormentes, postes, moirões e caixotaria. A espécie regenera-se bem por brotação das cepas, é moderadamente susceptível à geadas, secas pronunciadas, e ao fogo.

Recomenda-se a espécie para altitudes inferiores a 1.600 m.

Eucalyptus dunnii Maiden   

Ocorrência restrita na região nordeste de New South Wales e sudeste de Queensland, entre as latitudes de 28 a 30ºC e altitudes de 150 a 800 m. Precipitação pluviométrica média anual variando de 800 a 1.500 mm, chuvas concentradas no verão. Temperatura média das máximas do mês mais quente compreendida entre 27 a 29º C, e a média das mínimas do mês mais frio em torno de 8ºC . O período de seca não ultrapassa a 3 meses geralmente no inverno. Na área de ocorrência natural ocorrem poucas geadas com baixa intensidade. É uma das espécies com maior crescimento na Austrália.

A madeira é muito semelhante a do E. grandis, podendo ter as mesmas utilizações. Os primeiros estudos visando seu aproveitamento para celulose e papel, são altamente animadores. As maiores restrições à espécie são a inexistência de produção de sementes em nosso meio, e a impossibilidade de importação de sementes em quantidades suficientes. Existindo possibilidade da produção de sementes ou mudas, a espécie poderá ser potencial para todas as regiões bioclimáticas do Estado.

Eucalyptus cloeziana F. Muell   

Ocorre geralmente nas regiões central e norte do Estado de Queensland. Caracteriza-se por não ocorrer em populações contínuas, mas sim de forma esparsa. A área de distribuição está compreendida entre as latitudes de 60 s 900 m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 1.000 a 1.600 mm, concentrando-se no verão. A temperatura média das máximas do mês mais quente, situa-se em torno de 29ºC, e a média das mínimas do mês mais frio, entre 8 a 12ºC. O período de seca não ultrapassa 3 a 4 meses. As geadas são raras e pouco severas. A madeira produzida pela espécie é de alta densidade, durável e com ampla utilização.

As plantações estabelecidas fora da Austrália tem como finalidades principais: serraria, postes, escoras, estruturas, dormentes, etc. Vem sendo considerada a melhor espécie para postes.

Tratando de uma espécie oriunda de zonas predominantes tropicais, ela é susceptível à geadas e não se adapta bem em regiões com deficiência hídrica severa. Aparentemente é susceptível a fogo rasteiro. Apresenta baixa capacidade por brotação de cepas.

Aparentemente a espécie exige solos de fertilidade média a boa, recomenda-se evitar locais com incidências de geadas, altitudes superiores a 1.600 m. e onde as deficiências hídricas sejam severas.

Eucalyptus botryoides Sm   

Ocorre naturalmente, na Austrália, no Litoral Sul do Estado de New South Wales e em Victoria, entre as latitudes de 32 a 39,5ºS e altitudes de 0 a 300m. A precipitação pluviométrica média anual varia de 625 a 1.000 mm, com chuvas uniformemente distribuídas durante o ano. Temperatura média das máximas do mês mais quente 23 a 28ºC, e das mínimas do mês mais frio 2 a 9ºC. Período seco normalmente não ultrapassa 2 a 3 meses. Intensidade de geadas desde 0 a 20 dias/ano.

Na Austrália a espécie é considerada valiosa para o litoral, apresentando alta resistência à ventos. A madeira pode ser utilizada para: laminação , estruturas, dormentes , caixotaria, estacas e mourões . Em locais fora da Austrália a espécie apresenta susceptibilidade à geadas, e à deficiência hídrica.

 

Indicações para escolha de espécies de Eucalyptus

Texto produzido pela Acadêmica Aline Angeli
Supervisão e orientação do Prof. Luiz Ernesto George Barrichelo e do Eng. Paulo Henrique Müller
Atualizado em 14/12/2005

A madeira de eucalipto é utilizada para o abastecimento da maior parte da indústria de base florestal no Brasil. Em 2004, de acordo com relatório da Bracelpa, foram consumidos pelo setor de celulose e papel 34.113.000 m³ de madeira proveniente de reflorestamento com eucalipto, 2.475.000 m³ pelo setor de geração de energia e 340.000 m³ pelo setor de serraria.

Além dos setores industriais, existe grande consumo de madeira, em pequena escala, que não é devidamente quantificado, mas que quando somado representa significativa parcela do consumo total. Trata-se do consumo doméstico de madeira, principalmente como lenha. Segundo Mata (2000), a crise de oferta de lenha no meio rural é resultado da falta de estudos sobre regulação da produção em função do manejo dos estoques remanescentes e a implantação de florestas para produção de madeira para lenha nas pequenas propriedades. Acrescenta-se, ainda, que a floresta implantada em pequenas propriedades pode ser utilizada para outros fins, como obtenção de moirões para cerca, estacas, cabos de ferramentas etc.

A escolha do eucalipto para suprir o consumo de madeira, tanto em escala industrial como para pequenos consumidores, está relacionada a algumas vantagens da espécie, tais como rápido crescimento; características silviculturais desejáveis (incremento, forma, desrama etc.); grande diversidade de espécies, possibilitando a adaptação da cultura às diversas condições de clima e solo; facilidades de propagação, tanto por sementes como por via vegetativa; e possibilidades de utilização para os mais diversos fins, o que justifica sua aceitação no mercado. Às características desejáveis citadas, somam-se o conhecimento acumulado sobre silvicultura e manejo do eucalipto e ao melhoramento genético, que favorecem ainda mais a utilização do gênero para os mais diversos fins.

Apesar de serem descritas cerca de 700 espécies do gênero Eucalyptus, os plantios são restritos a poucas espécies, podendo-se citar, principalmente, Eucalyptus grandis, E. urophylla, E. saligna, E. camaldulensis, E. tereticornis, E. globulus, E. viminalis, E. deglupta, E. citriodora, E. exserta, E. paniculata e E. robusta. Ressalta-se que, no Brasil, as espécies E. cloezina e E. dunnii são consideradas promissoras para as regiões central e sul, respectivamente.

A possibilidade de uso da madeira de eucalipto para diversos fins tem estimulado a implantação de florestas de uso múltiplo. Dessa forma, muitos estudos estão sendo realizados para melhor se aproveitar o potencial econômico da floresta, destacando-se melhoramento de material genético e manejo silvicultural (teste de espaçamentos, idade de corte e técnicas silviculturais). De modo geral, com o uso múltiplo, pretendem-se obter de uma área implantada variados tipos de produtos, ou seja, diferentes finalidades para uma mesma floresta.

Escolha da espécie

A definição da espécie a ser plantada é a primeira etapa de um projeto de reflorestamento, levando-se em consideração o objetivo da produção (uso da madeira) e as condições edafoclimáticas (solo e clima) da região. Cada espécie se desenvolve em um ambiente adequado e por isso é indicado, sempre que possível, realizar testes para averiguar a adaptação do material ao ambiente, tanto para sementes quanto para clones. Entretanto, se não for possível a realização de testes, e tampouco houver dados experimentais da região, sugere-se que a escolha do material genético seja feita a partir de procedências cujas condições de origem sejam semelhantes ao local do plantio, sobretudo latitude, altitude, temperatura média anual, precipitação média anual, déficit hídrico e tipos de solos.

O mercado consumidor é um aspecto fundamental durante o planejamento do projeto de reflorestamento. É importante conhecer as exigências do mercado quanto à característica do produto, assim como as técnicas que otimizam a relação custo/benefício. A obtenção de maior retorno econômico depende da escolha adequada da espécie. Ainda sobre mercado consumidor, sugere-se que sejam avaliadas as distâncias entre a área de plantio e as unidades de beneficiamento ou utilização, pois o custo de transporte é um dos componentes mais caros do preço da madeira.

Abaixo segue uma relação de espécies de eucalipto indicadas em função dos usos, do solo e do clima.

Espécies de eucalipto indicadas em função do uso:

Celulose: E. alba, E. dunnii, E. globulus, E. grandis, E. saligna, E. urophylla e E. grandis x E. urophylla (híbrido).

Lenha e carvão: E. brassiana, E. camaldulensis, E. citriodora, E. cloeziana, E. crebra, E. deglupta, E. exserta, E. globulus, E. grandis, E. maculata, E. paniculata, E. pellita, E. pilularis, E. saligna, E. tereticornis, E. tesselaris e E. urophylla.

Serraria: E. camaldulensis, E. citriodora, E. cloeziana, E. dunnii, E. globulus, E. grandis, E. maculata, E. maidenii, E. microcorys, E. paniculata, E. pilularis, E. propinqua, E. punctata, E. resinifera, E. robusta, E. saligna, E. tereticornis e E. urophylla.

Móveis: E. camaldulensis, E. citriodora, E. deglupta, E. dunnii, E. exserta, E. grandis, E. maculata, E. microcorys, E. paniculata, E. pilularis, E. resinifera, E. saligna e E. tereticornis.

Laminação: E. botryoides, E. dunnii, E. grandis, E. maculata, E. microcorys, E. pilularis, E. robusta, E. saligna e E. tereticornis.

Caixotaria: E. dunnii, E. grandis, E. pilularis e E. resinifera.

Construções: E. alba, E. botryoides, E. camaldulensis, E. citriodora, E. cloeziana, E. deglupta, E. maculata, E. microcorys, E. paniculata, E. pilularis, E. resinifera, E. robusta, E. tereticornis e E. tesselaris.

Dormentes: E. botryoides, E. camaldulensis, E. citriodora, E. cloeziana, E. crebra, E. deglupta, E. exserta, E. maculata, E. maidenii, E. microcorys, E. paniculata, E. pilularis, E. propinqua, E. punctata, E. robusta e E. tereticornis.

Postes: E. camaldulensis, E. citriodora, E. cloeziana, E. maculata, E. maidenii, E. microcorys, E. paniculata, E. pilularis, E. punctata, E. propinqua, E. tereticornis e E. resinifera.

Estacas e moirões: E. citriodora, E. maculata e E. paniculata.

Óleos essenciais: E. camaldulensis, E. citriodora, E. exserta, E. globulus, E. smithii e E. tereticornis.

Taninos: E. camaldulensis, E. citriodora, E. maculata, E. paniculata e E. smithii.

Espécies de eucalipto indicadas em função do clima:

Úmido e quente: E. camaldulensis, E. deglupta, E. robusta, E. tereticornis e E. urophylla.

Úmido e frio: E. botryoides, E. deanei, E. dunnii, E. globulus, E. grandis, E. maidenii, E. paniculata, E. pilularis, E. propinqua, E. resinifera, E. robusta, E. saligna e E. viminalis.

Subúmido úmido: E. citriodora, E. grandis, E. saligna, E. tereticornis e E. urophylla.

Subúmido seco: E. camaldulensis, E. citriodora, E. cloeziana, E. maculata, E. pellita, E. pilularis, E. pyrocarpa, E. tereticornis e E. urophylla.

Semiárido: E. brassiana, E. camaldulensis, E. crebra, E. exserta, E. tereticornis e E. tessalaris.

Espécies de eucalipto indicadas em função do solo:

Argilosos: E. citriodora, E. cloeziana, E. dunnii, E. grandis, E. maculata, E. paniculata E. pellita, E. pilularis, E. pyrocarpa, E. saligna, e E. urophylla.

Textura média: E. citriodora, E. cloeziana, E. crebra, E. exserta, E. grandis, E. maculata, E. paniculata, E. pellita, E. pilularis, E. pyrocarpa, E. saligna, E. tereticornis e E. urophylla.

Arenosos: E. brassiana, E. camaldulensis, E. deanei, E. dunnii, E. grandis, E. robusta E. saligna, E. tereticornis e E. urophylla.

Hidromórficos: E. robusta.

Distróficos: E. alba, E. camaldulensis, E. grandis, E. maculata, E. paniculata, E. pyrocarpa e E. propinqua.

 

Botânica de Eucalyptus spp

A primeira descrição botânica do gênero Eucalyptus spp. foi de autoria de Charles Louis L'Héritier de Brutelle, em 1788. O género inclui mais de 700 espécies, quase todas originárias da Austrália, existindo apenas um pequeno número em territórios vizinhos, como Nova Guiné e Indonésia, além de uma espécie no norte das Filipinas. Atualmente, o Eucalyptus spp. possue as seguintes denominações taxionômicas:

Classificação Científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Myrtales
Família: Myrtaceae
Subfamília: Leptospermoidae

O nome do gênero faz referência ao opérculo que cobre os órgãos reprodutores, podendo ser traduzido do grego como “boa cobertura”. Este opérculo é formado por pétalas modificadas, no entanto o poder de atração de sua flor deve-se à exuberância de seus estames, e não às pétalas. Os frutos são lenhosos, ligeiramente cônicos, e possuem válvulas que se abrem para dispersar as sementes. As flores e os frutos podem ser considerados os elementos mais característicos das espécies de Eucalyptus.

A família em questão denomina-se Myrtaceae (do grego myrtos – perfume), e possue cerca de 140 gêneros, com aproximadamente 3.000 espécies divididas em 2 subfamílias, Myrtoideae e Leptospermoideae, tendo como seus principais centros de dispersão a América e a Austrália (Joly, 1993; Ribeiro,1999). Como características comuns a essa família podemos citar:

-Floema interno.
-Presença abundante de ritidoma no caule.
-Canais oleíferos na forma de pequenos pontos translúcidos, presentes nas folhas (principalmente), flores,frutos e sementes.
-Folhas: simples, de bordo inteiro, opostas (nativas) ou alternas (na maioria dos gêneros Eucalyptus), peninérvias e com nervura marginal.
-Flores: Actinomórfas, diclamídeas, dialipétalas, raramente com pétalas de tamanho reduzido, polistêmone, anteras globosas, rimosas e bitecas, ovário ínfero, com número variável de lóculos e de óvulos, podendo apresentar várias inflorescências.
-Frutos: Baga ou cápsula.

Existem algumas particularidades existentes em folhas de Eucalyptus spp. Em quase sua totalidade possuem folhagem persistente e muitas espécies apresentam dimorfismo foliar. Quando jovens suas folhas são opostas, de ovais a arredondadas e, ocasionalmente, sem pecíolo, e após um ou dois anos de crescimento, a maioria das espécies passa a apresentar folhas alternadas, de lanceoladas a falciformes e estreitas. Contudo, existem várias espécies, como a Eucalyptus melanophloia e a Eucalyptus setosa que mantêm a forma juvenil ao longo de sua vida. A maior parte das espécies não floresce enquanto a folhagem adulta não aparece, sendo a Eucalyptus cinerea e a Eucalyptus perriniana duas das raras excepções.


Folhas (jovens e adultas), flores e frutos de Eucalyptus globulus


Eucalipto e um bom negocio ?

As florestas energéticas que, além dos mais diversificados usos da madeira nos vários setores, ocupam posição estratégica como fornecedoras de matéria-prima às indústrias da siderurgia, de papel e celulose e moveleira. A madeira destinada à geração de energia é da ordem de 69% e a maior parcela é canalizada à produção de carvão vegetal, que, na década de 90, tinha uma participação das florestas plantadas de, somente, 30%. Hoje, essa fonte supera o patamar de 70%, contribuindo, de forma significativa, para a preservação de nossas reservas florestais nativas, evitando a exaustão desse importante manancial. O eucalipto, pelas suas inerentes peculiaridades, tais como adaptabilidade a variados climas e solos, rápido crescimento, vigor e precocidade, é a espécie florestal mais plantada, correspondendo a 3,4 milhões de hectares ou 62% da área ocupada com florestas plantadas no País. O cultivo dessa essência é um dos melhores investimentos do agronegócio brasileiro diante da demanda por sua madeira e seus subprodutos. Além do aspecto econômico advindo da eucaliptocultura, devem-se ressaltar, também, os benefícios sociais, entre os quais, seu alto incremento de carbono, quando comparado a outras espécies e, por isso, desempenha importante papel na re-tirada de CO2 na atmosfera e sua fixação na superfície terrestre

 

Plantio

O plantio consiste em uma das operações mais importantes para o sucesso da implantação de florestas. O sucesso de um plantio e a obtenção de povoamentos produtivos com madeira de qualidade depende da realização correta das seguintes práticas silviculturais: preparo de solo, controle de plantas invasoras, controle de pragas, definição do espaçamento correto, adubação e capina.

 

Espaçamento de plantio

A partir do espaçamento se define o crescimento da muda. Esse crescimento está associado à velocidade do mesmo e à espessura do tronco. Normalmente, para o eucalipto, o espaçamento mais utilizado é o de 3 metros entre as linhas e 2 metros entre as mudas, o que corresponde a 1.666 mudas por hectare. Pode-se variar levemente a escolha do espaçamento, porém nunca deve ser menor que 2m x 2m.

O espaçamento influencia as taxas de crescimento das plantas, o número de tratos silviculturais que devem ser realizados, o volume de madeira produzido, o sortimento, a definição de intensidade de desbaste, a qualidade da madeira, a taxa de mortalidade e de dominância, a idade de corte e os métodos de colheita florestal. Assim, interferirá diretamente nos custos da produção florestal.

Além disto, deverá estar relacionada com o método de desbaste que será realizado, já que o regime de desbaste e a determinação de idade do corte final da madeira devem ser definidos conforme a finalidade pretendida da madeira. E a densidade da população será significante para tal definição

A escolha do espaçamento depende, fundamentalmente, do uso final pretendido da madeira (já que implica diretamente em aspectos silviculturais, tecnológicos e econômicos), da disponibilidade hídrica regional, do tipo de material genético adotado e da qualidade operacional silvicultural. Estes fatores serão explicados abaixo.
Quando a finalidade pretendida da madeira é serraria, por exemplo, é mais sensata a adoção de um espaçamento mais amplo (já que o maior espaço vital garantirá maior crescimento das árvores) e a realização de desbastes mais precoces, que garantam maior de volume de madeira de maior diâmetro. Deve-se atentar para o objetivo principal, que é a produção de madeira para serraria em menor prazo e a menor custo (pela redução do número de desbastes). Entretanto, a escolha de espaçamentos mais abertos provoca maior formação de galhos. Fator este, indesejável a produção de madeira a serraria, que preza pela ausência de nós. Acredita-se que a definição do espaçamento de plantio interfere na altura de inserção do primeiro galho, influenciando, assim, o volume de madeira útil livre de nós. Portanto a decisão da adoção do espaçamento deve considerar, também, o custo da desrama nos povoamentos.

Outro fator que deve ser considerado para a definição do espaçamento é a disponibilidade hídrica regional, considerando características climáticas e edáficas, já que a competição por água será um item relevante nas taxas de crescimento das árvores.

A escolha do material genético também interferirá na definição do espaçamento, já que quanto maior o ritmo de crescimento das árvores, maior deve ser o espaçamento entre plantas.

A qualidade operacional garantirá menor mortalidade de plantas. Assim, sistemas silviculturais com elevada qualidade operacional poderão ter menor densidade inicial (provocado por espaçamento mais amplo) de plantio, já que há garantia de sobrevivência de mudas

 

Adubação

A recomendação do fertilizante deve ser realizada após amostragem do solo, pois esta indicará quais os nutrientes que estão em falta e quais as suas quantidades a serem aplicadas.

A adubação de base (ou de plantio) objetiva fornecer os nutrientes necessários às plantas, possibilitando assim condições ideais para o seu desenvolvimento inicial. Normalmente é constituída de fertilizantes NPK, com maiores teores de P e menores teores de N e K. Esta etapa pode ser realizada mecanicamente com a aplicação do fertilizante nos sulcos de plantio logo após a subsolagem, ou manualmente, através de covetas laterais. O coveamento lateral deve ser realizado sob profundidade de 20 cm, a 25 cm das plantas. Esta forma garantirá maior eficiência na adubação.

A adubação de cobertura tem por objetivo suplementar o solo com nutrientes indispensáveis à expansão da área foliar e do sistema radicular das plantas, em rápido crescimento, após o período de adaptação das mudas no campo. Consiste na aplicação de N K e/ou B. A adubação de cobertura é realizada entre o 3o e o 18o mês após o plantio. Para a realização desta fertilização, a área deverá estar livre da matocompetição. Nesta etapa, o fertilizante deverá ser aplicado em coroa ou semi-circulo, no limite de projeção da copa respeitando uma distancia mínima de 40 cm do caule e uma altura mínima da planta de 60 cm.

 

Controle de Plantas Invasoras

A produtividade florestal é afetada muitas vezes se a matocompetição não for controlada. O gênero Eucalyptus acaba sendo altamente prejudicado por ter o crescimento inicial acelerado. Falta de nutrientes, competição de água, luz e espaço, dificuldade no controle de formigas e na supervisão dos trabalhos de plantio e replantio são alguns motivos para o controle da matocompetição.

A freqüência dessa limpeza se deve à época do ano, grau de infestação, qualidade do preparo do solo, ritmo de crescimento da espécie e espaçamento utilizado; sendo a fase crítica de controle desde o plantio até o fechamento do dossel da floresta, que corresponderia a um ano em alta produtividade e um ano e meio a dois anos em baixa produtividade.


O controle de plantas invasoras é realizado com objetivo de eliminar espécies herbáceas, que competem por luz, água e nutrientes com as mudas de eucalipto, implicando desta forma em maiores mortalidade das mudas e consequentemente em menor produtividade da floresta.
Este controle normalmente é realizado com capina química, manual ou mecânica.

·              Capina Química: é efetuado através de produtos químicos chamados herbicidas. Este método de controle é muito utilizado em plantações de eucalipto, em razão de seus resultados serem rápidos, eficientes e prolongados.  A capina química permite o controle das plantas daninhas antes da sua emergência ou depois da sua emergência com menor possibilidade de reinfestação, com conseqüente redução de tratos culturais. No entanto, esse método apresenta a desvantagem da necessidade de mão de obra especializada e responsável, além de adequada orientação técnica.

·              Capina Manual: a capina manual realizada através da enxada e normalmente é realizada apenas na linha de plantio devido ao baixo rendimento da operação.

·            Capina Mecânica: A capina mecânica é realizada através da roçadora acoplada ao trator ou através de motoroçadora, apresentando uma maior produtividade em relação a capina manual. Entretanto, apesar deste método ser mais prático e apresentar um alto rendimento, o mesmo apresenta certos inconvenientes, como, um curto período de controle, obrigando a repetir a operação diversas vezes, pois é eliminada apenas a parte aérea da planta competidora. Ainda no caso da roçadora acoplada ao trator, a capina é realizada apenas na entrelinha, necessitando de uma nova operação para o controle na linha de plantio.
               

Controle de Formigas e cupins

As formigas cortadeiras e os cupins são considerados as principais pragas florestais. As formigas representadas principalmente pelos gêneros Atta (Saúva) e Acromyrmex (Quenquém), causam sérios danos às mudas, pois cortam as folhas impedindo a sobrevivência da planta e assim reduzindo drasticamente a produtividade florestal.

Os cupins que causam danos às florestas são os xilófagos (vivem no interior da árvore se alimentando de madeira) e os subterrâneos (causam danos as raízes).

Para o sucesso da implantação, torna-se obrigatório o controle dessas pragas antes da realização do plantio. Normalmente o controle de formigas é realizado com iscas formicidas e o de cupins com inseticidas específicos, de acordo com a espécie e a forma de ataque.

O constante monitoramento destas pragas é de fundamental importância para se obter uma floresta de alta produtividade.

Desta forma, periodicamente devem ser feitas vistorias na área e eventuais intervenções para controle.

 

 

Desrama

Para a obtenção de uma madeira sem nó, de melhor qualidade, é necessária a realização da desrama, que é uma atividade que consiste na eliminação de ramos até uma determinada altura. O objetivo principal é agregar valor as toras produzidas, para assim, obter melhor remuneração pela madeira.

A desrama também pode ocorrer naturalmente dependendo da espécie utilizada no povoamento.

A retirada de galhos também pode ter com objetivo a proteção contra incêndios, com a falta de ramos na parte inferior da copa, aumentará a distância dos galhos verdes até o solo, dificultando a ocorrência de incêndio de copa.

A desrama trata-se de uma operação cara devido ao custo de mão de obra, associado a baixos rendimentos.

A primeira desrama deve ser realizado aos 3 ou 4 anos, não retirando mais que 40% dos ramos, até uma altura de 3m. Aos 7 ou 8 anos, efetua-se a segunda desrama até uma altura de 6m.

A desrama é feita manualmente, com auxílio de serras de poda curvas fixadas em cabos de madeira de 1,5m, 4,5m de comprimento para as desramas de 3 e 6 m, respectivamente.

Convém ajustar a operação de desrama com a de desbaste, desramando apenas as árvores que ficaram remanescentes e propiciar um amplo espaço de crescimento para as árvores em que tenha sido realizada a desrama

 

Desbaste

O desbaste é uma atividade silvicultural que tem como objetivo a remoção de árvores com menor desenvolvimento, de forma a favorecer o crescimento das árvores remanescentes.

A finalidade da realização do desbaste é produzir toras com maiores diâmetros em um menor período de tempo, deste modo essa atividade deve ser compatível com os objetivos de produção.

Essa atividade acarreta investimentos, mesmo com uma renda antecipada proveniente da venda da madeira retirada, é necessário um planejamento de sua execução, considerando os custos do corte e retirada, e o valor da venda da madeira. A tendência é realizar menos desbastes com maiores intensidades.

No planejamento, deve-se levar e consideração o tipo de desbaste, o inicio do desbaste (avaliando as condições de crescimento da floresta), a intensidade dos desbastes e intervalo entre possíveis desbastes sucessivos.

Os desbastes podem ser efetuados de duas maneiras:

1.           Desbaste sistemático:

Retirada ordenada das árvores, como exemplificado na Figura 1.


Figura 1 - Desbaste Sistemático

As principais vantagens são a facilidade de execução, sem a necessidade de selecionar as piores árvores, e possui um custo menor de extração. A desvantagem é a menor produtividade do plantio, pois sem seleção, são retiradas também árvores com bom crescimento.

1.           Desbaste seletivo

Retirada das árvores dominadas, com menores diâmetros e com defeitos, como exemplificado na Figura 2.


Figura 2 - Desbaste Seletivo

As vantagens é a maior produtividade das árvores remanescentes, já que foram selecionadas as piores árvores para serem retiradas, deixando as com maiores diâmetros.

As desvantagens é o alto custo da operação, maior dificuldade de extração das árvores, e é necessário também o treinamento de mão de obra para realização da seleção, e uma marcação prévia nas árvores antes do corte

 

Colheita

A colheita florestal pode ser definida como o conjunto de operações efetuadas na floresta que tem como objetivos o preparo e a retirada da madeira até o local de transporte.É uma das atividades silviculturais mais importantes do ponto de vista econômico pois, juntamente com o transporte, representa em média cerca de 50% do custo final da madeira.

É composta pelas seguintes etapas: corte (derrubada, desgalhamento e processamento); descascamento (quando executado no campo); e extração e carregamento. A primeira etapa refere-se ao corte da madeira, onde derruba-se a árvore, retiram-se os galhos e folhas e processa-se conforme o uso necessário (variando o tamanho de toras). O descascamento pode ser realizado em campo, quando não se utiliza a casca como produto da madeira. As toras cortadas são extraídas do talhão e empilhadas em um pátio ou na borda do talhão para que seja feito o carregamento e transporte.

A colheita pode ser categorizada de acordo com o sistema de colheita e tecnologia aplicada.

Sistemas de Colheita

Os sistemas de colheita podem variar de acordo com vários fatores, dentre eles topografia do terreno, rendimento volumétrico do povoamento, tipo de floresta, uso final da madeira, máquinas, equipamentos e recursos disponíveis. De acordo com Machado (2002), os sistemas podem ter a seguinte classificação:

- Sistemas de toras curtas (Cut-to-length): a árvore é processada no local de derrubada, sendo extraída para a margem da estrada ou para o pátio temporário em forma de pequenas toras, com menos de seis metros de comprimento.

- Sistemas de toras longas (Tree-length): a árvore é semiprocessada (desgalhamento e destopamento) no local de derrubada e levada para a margem da estrada ou o pátio temporário em forma de fuste, com mais de seis metros de comprimento.

- Sistemas de árvores inteiras (Full-tree): a árvore é derrubada e levada para a margem da estrada ou para o pátio intermediário, onde é processada.

- Sistemas de árvores completas (Whole-tree): a árvore é arrancada com parte de seu sistema radicular e levada para a margem da estrada ou para o pátio temporário, onde é processada.

- Sistemas de cavaqueamento (Chipping): a árvore é derrubada e processada no próprio local, sendo levada em forma de cavacos para um pátio de estocagem ou diretamente para a indústria.

Tecnologia

A colheita florestal do ponto de vista da tecnologia pode ser dividida basicamente em três: manual, semi-mecanizada e mecanizada.

1 - Colheita manual: consiste no uso de machado, muito pouco utilizado devido ao seu baixo rendimento e elevada exigência de esforço físico.

2 - Colheita semi-mecanizada: refere-se ao corte com uso de motosserras e extração com máquinas. Suas principais vantagens são:
  - Baixo custo de aquisição de equipamento;
  - Possibilidade de atuação em qualquer tipo de terreno;
  - Possibilidade de executar todas as operações de corte com uma só máquina;
  - Elevada produção individual, em comparação com métodos manuais.

Porém, ela apresenta algumas desvantagens:
  - Periculosidade
  - Elevado nível de ruído (superior a 85 decibéis);
  - Elevada exigência de esforço físico;
  - Baixo rendimento individual, em comparação com métodos mecanizados.

A colheita com o uso de motosserra é muito utilizada em pequenas e médias propriedades ou locais com limitações topográficas à mecanização.


Corte com motosserra

3- Colheita mecanizada: todo o processo de colheita (corte, processamento e extração) é realizado com o uso de máquinas agrícolas. Suas principais vantagens são:
  - Alto rendimento;
  - Melhores condições de trabalho;
  - Baixo custo por quantidade de madeira.

Algumas desvantagens:
  - Alto custo de aquisição;
  - Necessidade de mão-de-obra qualificada;
  - Limitações topográficas (declividade do terreno);
  - Impactos ambientais (compactação do solo).


     Feller-buncher                   Harvester

Outro ponto importante a respeito da colheita é o manejo dos seus resíduos, pois quando se processa corretamente a madeira no campo, retirando somente o que será utilizado e distribuindo os restos de galhos, folhas e casca no campo, pode-se garantir maior sustentabilidade ao sistema através da ciclagem de nutrientes, além de obter maior economia no carregamento e transporte.

 Referências:

MACHADO, C.C. Colheita florestal. Viçosa: UFV, 2002. 468p.

 

Tratamento e secagem da madeira

Paulo Henrique Muller da Silva
Engenheiro Florestal - IPEF
Atualizado em 03/10/2005

Processos de tratamento da madeira

O tratamento da madeira deve ser realizado para prevenir sua deterioração, ampliando assim seu tempo de vida útil. O tratamento comumente utilizado é o químico, no qual ocorre a fixação de elementos preservativos na madeira, tornando-a mais resistente à ação de fungos e insetos (brocas e cupins), principalmente se a madeira ficar em contato direto com a água ou com o solo.

O tratamento da parte interna da madeira consiste na troca da seiva (madeira verde) por solução que contém elementos preservantes. Após a secagem, os elementos conservantes ficarão retidos dentro da madeira. O tratamento pode ser realizado de maneira manual ou industrial (com a utilização de equipamentos específicos).

O processo de tratamento manual é muito utilizado nas pequenas propriedades para o tratamento de mourões. Nesse sistema trabalha-se sem pressão e obrigatoriamente em galpão aberto, ventilado e com o piso impermeabilizado.

Para o tratamento de mourão, recomenda-se utilizar tambor aberto e pintado internamente com impermeabilizante. Utiliza-se madeira verde, roliça e descascada, sempre colocando a parte mais grossa para baixo no tambor que contém a solução. Após o tratamento propriamente dito, os mourões devem passar pelo processo de secagem ao ar. Para a realização dessas etapas são necessárias algumas semanas e vários cuidados, principalmente, no manuseio das substâncias utilizadas como preservantes, pois o uso incorreto pode ocasionar sérios problemas ao homem e ao meio ambiente.


Tratamento de mourão

O tratamento industrial é realizado a vácuo ou sob pressão em autoclave utilizando produtos preservativos regulamentados pelos órgãos competentes. Esses processos industriais são mais seguros para o meio ambiente, gerando uma contínua queda na utilização do sistema manual.

A autoclave é um cilindro que suporta pressão, onde a madeira é introduzida e em seguida os produtos químicos preservantes são injetados. As pressões utilizadas são superiores a atmosférica e as etapas de tratamento são: colocação da madeira; início do vácuo; injeção da solução preservante; tratamento com o vácuo; término do vácuo e retirada da solução excedente.

Os preservantes de madeira podem ser compostos puros ou misturas existindo grande variação no custo, na eficiência e no modo de usar. O preservante ideal é aquele que consegue permanecer na madeira, é tóxico aos fungos e insetos, mas que não é prejudicial aos homens e animais.

Os preservantes mais utilizados são:
Oleossolúveis - Para o tratamento de madeira a ser usada em contato direto com o solo, os mais importantes são o creosoto e o pentaclorofenol.
Hidrossolúveis - São constituídos pela associação de vários sais: sulfato de cobre, bicromato de potássio ou sódio, sulfato de zinco, ácido crômico, ácido arsênico, ácido bórico e outros compostos.

Existe outro processo de tratamento da madeira sem a utilização de produtos químicos, mas o mesmo não é utilizado no Brasil em escala industrial. Esse sistema, conhecido como termorretificação, apenas utiliza o calor e consiste em expor a madeira a temperaturas elevadas (120 a 200ºC), porém que não provoquem degradação dos componentes químicos fundamentais. Em alguns estudos realizados foi comprovado que a termorretificação diminui tanto o ataque de fungos quanto a variação dimensional da madeira, porém possui como conseqüência a alteração da cor da madeira que se torna mais escura.


Diferenciação na cor da madeira de eucalipto termorretificado

Secagem de madeira

A secagem da madeira visa à redução do teor de umidade que varia conforme o uso final do produto. Os objetivos da secagem são: reduzir a movimentação dimensional; inibir os ataques de fungos; melhorar a trabalhabilidade e aumentar a resistência física da madeira.

A secagem pode ser realizada ao ar livre ou em estufas com ventilação forçada (com temperatura e umidade controladas).
A secagem ao ar deve ser realizada em locais abertos, empilhando as tábuas espaçadas entre si de modo a permitir que o ar circule entre as peças e diminua sua umidade. A secagem ao ar é comumente utilizada em empresas para realização da pré-secagem de modo a otimizar o tempo de secagem em estufa. O ponto mais importante da secagem ao ar está na montagem da pilha de madeira que deve ser realizada com seguintes cuidados: isolamento do solo, alinhamento das peças e cobertura adequada.

As vantagens da secagem em estufa são o menor tempo do processo, maior controle e obtenção de teores de umidade mais baixos, porém há desvantagens como o maior custo de implantação desse sistema e de operação do equipamento.

A secagem em estufa é utilizada por diversas empresas da área de movelaria, painéis, esquadrias, pisos etc. Esse tipo de secagem é composto por 3 fases distintas:
- Aquecimento – é quando ocorre o aquecimento gradativo da temperatura em condições de elavada umidade do ar;
- Secagem propriamente dita – é a etapa em que a madeira irá perder água. Nessa fase, ocorre a elevação lenta da temperatura e diminuição gradativa da umidade do ar dentro da estufa. É necessario o monitoramento para melhor controle da secagem visando a adequação ao programa previamente estabelecido, determinado pelas características da madeira, pois estas influenciam na secagem;
- Uniformização e condicionamento – nessa última fase, o objetivo é homogenizar a umidade dentro e entre as peças, tais como:

Para a realização da secagem da madeira deve-se considerar os diversos fatores que influeciam no processo:
- Fatores ligados as caracteristicas da madeira: a espécie, o tipo de corte, a espessura da peça, o teor de umidade inicial, a relação cerne e alburno.
- Fatores do processo de secagem: a temperatura, a umidade relativa do ar e a velocidade de circulação do ar.

 


Voltar

        Sitio Vitoria regia   Reflorestamento e Mudas